quinta-feira, 3 de julho de 2014

Você entende o que é Desvio fonológico?


Você conhece algum portador de Desvio fonológico? Pode-se dizer que o mais famoso deles é o personagem de Maurício de Sousa, o Cebolinha, conhecido por trocar a letra “R” por “L”, além de roubar o coelhinho da Mônica. Esse é um caso clássico de Desvio fonológico, um distúrbio de fala, caracterizado pela dificuldade em articular as palavras e pela má pronunciação, seja omitindo, acrescentando, trocando ou distorcendo os fonemas.

 As trocas mais comuns são:
 -P por B;
- F por V;
- T por D;
- R por L;
- F por S;
- J por Z;
- X por S.

Até os quatro anos, pronunciar as palavras de forma errada é considerado normal, mas, após essa idade, continuar falando mal pode acarretar sérios problemas, inclusive na escrita. Uma opção é fazer o trabalho preventivo à alfabetização, evitando dificuldades escolares. Caso a criança use chupeta, mamadeira ou chupe dedo por tempo prolongado, este hábito pode estar causando flacidez muscular e postura indevida da língua, o que pode estar contribuindo para o estabelecimento do distúrbio.

Vale ressaltar algumas dicas para não ajudar a desenvolver esse distúrbio. Em muitos casos, os tios, avós, pais, enfim, acham graça quando a criança fala de forma errada, mas é importante não achar fofo e sempre corrigi-la. Falar certo diante da criança, para que ela cresça sabendo e se habituando ao correto. O professor deve articular bem a palavra, fazendo com que os fonemas estejam claros. Ao perceber em sala de aula que um determinado aluno não está pronunciando bem, deve procurar os pais e comunicá-los. E, como a fala é um ato motor elaborado, troque informações com os professores de educação física, que observam melhor o desenvolvimento psicomotor do aluno. O professor deve tomar muito cuidado na hora da correção, para o aluno não se sentir inferiorizado, por isso a necessidade e importância do fonoaudiólogo no tratamento.

Cada caso exige um procedimento particular para o tratamento do Desvio fonológico mas o trabalho do fonoaudiólogo sobre a falha e dificuldade é indiscutível.  A criança será trabalhada e estimulada para desenvolver algumas competências como a sensação e a capacidade de sentir os sons; percepção, ou seja, a aptidão para reconhecer o som; e a elaboração, que é a capacidade de reflexão sobre os sons percebidos. A partir daí, falamos da autoconfiança, bom relacionamento, crescimento pessoal. 

O Desvio fonológico tem tratamento, e, para isso, uma equipe interdisciplinar de profissionais baseado em psicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo entre outros, tem muita importância para o resultado positivo.

Agora é lei - Teste da Linguinha passa a ser obrigatório

Procedimento capaz de detectar se a criança tem “língua presa” deverá ser feito nos recém-nascidos em todos os hospitais e maternidades.
Para a presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Irene Marchesan, é uma conduta simples que pode fazer grande diferença na vida das crianças.
O frênulo da língua é uma membrana que liga a língua à parte inferior da boca. Todos têm a membrana, mas em alguns casos é maior do que o normal, o que popularmente é conhecido como língua presa.
A Lei 13.002, que torna obrigatório o teste da linguinha, foi publicada na última semana e entra em vigor 180 dias após a publicação. 
De acordo com a fonoaudióloga Irene Marchesan, a avaliação é muito importante porque pode detectar se existe algo fora do normal, o que possibilita fazer o procedimento para cortar a membrana antes que ela dificulte a vida da criança.
 
Amamentação
“O primeiro problema de ter o frênulo preso é que a criança vai ter dificuldade ao mamar, podendo deixar o peito precocemente. Um segundo problema é no desenvolvimento da criança, que pode ficar com a fala alterada e com dificuldades para mastigar”, explicou Irene Marchesan.
A fonoaudióloga diz que os efeitos do procedimento para acabar com a língua presa não são os mesmos quando a criança é maior, por isso a importância de fazer no recém-nascido. Segundo ela, o procedimento é simples, e alguns pediatras fazem na hora em que a criança nasce, antes de entregá-la à mãe.